O projecto Renascer nasce de Daniel Pereira, um jovem nascido em 1982 com um enorme gosto pelo desporto e actividade física, que desde cedo se manifestou com a prática de Judo por volta dos oito anos, e que posteriormente passou para as vertentes do Karate Shotokan e Goju-Ryu, enquanto ao mesmo tempo se aventurava pela prática de Andebol e BTT.
Este gosto no entanto começou a ser negado em 2000, devido a um acidente de moto, onde uma tampa de saneamento partida no centro da via pública numa rua de Mozelos, Santa Maria da Feira, levou a um despiste, provocando uma rotura integral do ligamento cruzado anterior. A resolução deste processo, agravado por um arrasto de maus diagnósticos nas urgências do Hospital de São Sebastião, agora parte integrante do Centro Hospitalar entre Douro e Vouga, fez com que só fosse operado com um enxerto de ligamento proveniente do ligamento rotuliano, após três anos e sucessivas torções de joelho. Durante este período, qualquer movimentação que forçasse o joelho exigia muito cuidado, o que veio provocar alguma insegurança psicológica, pois ao mínimo descuido, o joelho torcia.
Após a cirurgia, a recuperação foi ligeiramente complicada, pois devido a problemas de postura e frequentes períodos de intervalos sedentários ou então de muita actividade, os músculos e a própria articulação atrofiaram ligeiramente, o que me provocou um desvio de ambas as rótulas, situação muito dolorosa e corrigida com fisioterapia intensiva. Como se não fosse suficiente, o trauma de ter andado muito tempo com graves problemas no joelho direito provocou que inconscientemente protegesse o mesmo e forçasse então o joelho esquerdo.
Com isto, um simples tropeção entre mim e um amigo meu fez com que o meu joelho esquerdo flectisse ao contrário, provocando uma grave luxação do joelho, rotura integral do ligamento cruzado anterior e do ligamento cruzado posterior, rotura parcial do ligamento lateral externo e rotura do Nervo Peronial Comum ou CPN (Common Peronneal Nerve), provocando uma paralisia parcial do joelho para baixo e síndrome de pé pendente.
Devido à luxação do joelho, foi necessária uma intervenção cirúrgica onde me foram transplantados dois ligamentos de cadáver para os cruzados, o lateral devido a ter sido uma rotura parcial e ao grande fluxo sanguíneo existente em comparação aos cruzados foi possível que recuperasse por si só, implicando a utilização de uma tala articulada para o joelho durante seis meses e utilização de canadianas durante três meses. Quanto ao pé pendente resultante da paralisia, necessito de utilizar uma tala imobilizadora da articulação do tornozelo, ou seja uma ortótese “pé-tornozelo” – AFO (Ankle-Foot Orthosis).
Tudo isto veio mudar o meu dia-a-dia, pois além dos problemas de mobilidade, tais como falta de equilíbrio, dificuldade de movimentar-me em certas circunstâncias como espaços limitados, piso irregular ou grandes distancias, tenho que lidar com uma nova realidade chamada dor neuropática, conhecida também como dor fantasma… mas isto é apenas o recomeço!




