Porque é possível

Sucessivamente procurei informação que me ajudasse a superar alguns dos meus problemas e que respondesse a algumas das dúvidas que surgiram ao longo do meu processo de recuperação / adaptação, e pouca informação pude encontrar disponível. Entre estas, procurei informação sobre as limitações que a paralisia me poderia trazer e formas de ultrapassar estas limitações.

Procurei sobre formas de adaptar o meu dia-a-dia para melhorar e superar os meus problemas de mobilidade, maneiras de tentar obter uma melhor qualidade de vida, combater as diversas dores e reforçar a musculatura de modo a colmatar as atrofias resultantes dos problemas de paralisia, e pouco ou nada encontrei.

Procurei também informação sobre iniciativas, oportunidades, apoios ou mesmo a simples distinção em eventos normalíssimos na qual exista a hipótese de prática de desporto ou outro tipo de actividade física que esteja disponível para pessoas com mobilidade reduzida e pouca coisa encontrei, a não ser para idosos.

Tudo isto levou que ao longo do tempo partisse à procura de informação e experimentasse várias situações, para que assim pudesse saber o que de facto me faz bem, mal ou o que me ajuda minimamente a ter uma melhor qualidade de vida, mais activa, menos sedentária e tudo isto com o menor sofrimento possível, tanto físico como psicológico. Infelizmente as dores e as limitações a que me tive (e ainda tenho) que me habituar foram várias, e a sensação de “estar no meio” foi grande em muitas das vezes, ou seja, se por um lado estou parcialmente incapacitado, por outro ainda não sou considerado como tal, logo, não posso fazer o que uma pessoa normalíssima pode fazer, mas também não tenho as facilidades que são dadas a uma pessoa com um maior grau de incapacidade.

Estas experiências permitiram-me descolar um bocado da realidade, e aperceber-me que embora tenha limitações, a sensação de deixar de poder fazer as coisas chamadas de “normais” é em parte mentira, pois deixei de poder fazer algumas coisas de facto, mas pude descobrir que posso continuar a fazer outras coisas de maneira diferente, ou então descobrir novas actividades que possa fazer, e algumas delas a muito custo, mas com a sensação de sucesso, que outrora não existiria. É necessário é encontrar formas de adaptar e ultrapassar as barreiras, superamo-nos dentro dos nossos limites e encontrarmos novas formas de concretizarmos as nossas metas, ou então, quando necessário e por muito difícil que seja, ponderarmos o nosso trajecto de vida e reformularmo-lo de modo a objectivar novas metas, novos desafios e novos objectivos, pois muitas das vezes a escolha do caminho mais fácil não é sinónimo de ter escolhido o melhor caminho.